Norte-Sul

01nov08

 

Apesar da grande importância para estruturação do território brasileiro e, sobretudo, latino-americano, é bastante difícil encontrar material sobre a interligação fluvial das bacias da Prata e do Amazonas. O engenheiro Paulo Mendes da Rocha, pai do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, trabalhou, em meados do século XX. em estudos sobre o tema. O projeto viabilizaria a hidrovia sul-americana norte-sul, conectando por vias fluviais o porto de Macapá e o porto de Montevideu.

No trabalho “Los Ríos nos Unen: Integración fluvial suramericana” da Corporación (CAF) Andina de Fomento, desenvolvido em 1998 , são levantadas 5 possibilidades de transposição de águas que viabilizariam a conexão entre as duas bacias.

A primeira interligação proposta (ver imagem) é a partir da transposição das águas do Rio Taquari (afluente do Rio Paraguai) e do Rio Araguaia. Essa opção é considerada tecnicamente difícil pelo relatório, uma vez que as águas teriam que vencer um divisor de águas de 350 metros de altura e 500 quilômetros de extensão. Outra opção levantada então é a interligação pelo Rio São Lourenço (afluente do Paraguai) e o Rio Araguaia, mais precisamente pelo Rio das Garças. Estes dois projetos mencionados são geograficamente bastante próximos.

Mais a Oeste, outros dois projetos são sugeridos: a interligação de afluentes do Paraguai com o Rio Xingu ou, ainda mais a oeste, com o Rio Tapajós. Mais estudada, talvez seja a interligação do Rio Madeira através do Rio Guaporé (bacia do Amazônica) com um afluente do Rio Paraguai, já no Estado de Rondônia. Em 1773, o então governador do Mato Grosso, Don Luiz de Cáceres, decidiu construir um canal conectando os rios Alegre (afluente do Guaporé da bacia Amazônica) e Aguapeí (afluente do Rio Jauru da Bacia da Prata). A distância necessária para ser vencida pela obra era de somente 3 quilômetros, e o trabalho seria facilitado por um lago e pelos terrenos pantanosos. No entanto, por um erro de topógrafos, o projeto de Don Luiz Cáceres não se concretizou. Outro projeto histórico pensado para essas bacias era aprofundar terrenos pantanosos no extremo oriental da Serra dos Parecis, promovendo a conexão entre o Rio Verde (bacia Amazônica) e o Rio Maricotezá (bacia da Prata).

Além da hidrovia norte-sul constituída pela interligação da bacia da Prata e a Amazônica, o mesmo relatório da Corporación Andina de Fomento sugere duas outras importantes interligações de bacias no Brasil, ambas vinculadas com o Rio São Francisco. Segundo a pesquisa, seria possível uma interligação do Velho Chico com o Rio Paraná, no entanto, as 3 opções estudadas seriam bastante difíceis de serem realizadas devido á grandes desníveis existentes. Outra transposição, que vem sendo muito discutida motivada pelo início das obras de Transposição do Rio São Francisco, é a interligação com o Rio Tocantins. Segundo alguns pesquisadores, esta interligação seria relativamente fácil de ser executada do ponto de vista técnico, e traria grandes benefícios para estruturação do território, resolvendo alguns dos problemas de hídricos da região nordeste.

 

Post enviado por Gabriel Kogan

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