Os 7 erros da atual gestão das águas em SP:

19jan15

1- LUCROS DESPROPORCIONAIS: A capacidade de investimento da SABESP foi corroída por lucros estratosféricos e uma gestão voltada para satisfazer acionistas, que capitalizaram a concessionária no passado em ofertas públicas de ações. A empresa é parcialmente pública, porém regida por interesses privados.

2- GESTÃO SEM FISCALIZAÇÃO: Os órgãos responsáveis, tanto pelo serviço quanto pela fiscalização, estão todos nas mãos da instância estadual. Ninguém, portanto, multa ninguém ou obriga mudanças radicais de gestão. A ausência de alternância de poder estadual agravou o problema.

3- ESGOTO SEM TRATAMENTO: O saneamento foi negligenciado pelo Estado e o judiciário fez vistas grossas disso. O problema então não é simplesmente de falta d’água, mas falta d’água limpa. Os rios, lençóis freáticos e represas estão poluídos, e a coleta de esgoto é precária, o que dificulta o reaproveitamento do recurso após eventual tratamento.

4- INTERESSES ELEITOREIROS: Interesses políticos-eleitorais se sobrepuseram a campanhas de esclarecimento ou a possibilidade de novos investimentos para contornar, em regime de urgência, uma situação anunciada como dramática há, pelo menos, dois anos.

5- DESTRUIÇÃO AMBIENTAL: O desflorestamento nas regiões de cabeceira sem nenhum controle público afeta o regime hídrico e reduz a capacidade de recuperação cíclica de nascentes.

6- PRODUÇÃO ESTAGNADA DE ÁGUA . A falta de investimentos sistemáticos ou emergenciais permitiu que o consumo superasse a oferta sem que nada fosse feito. Os reservatórios existentes entrarem em estado de estresse. Novas fontes de água, como a subterrânea, não foram exploradas.

7- TECNOLOGIA ULTRAPASSADA. O descaso de investimentos acarretou em péssima manutenção de rede (hoje com grandes perdas) e no uso de uma tecnologia obsoleta para abastecimento e saneamento. O tratamento a base de cloro, por exemplo, está proibido na Europa e Singapura trata todo o esgoto e reinsere na tubulação de água potável para fechar o sistema, sem desperdiçar uma gota sequer.

Gabriel Kogan, 12/01/2015

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